Neste Pena de Morte as imagens poéticas de Jorge Aguiar Oliveira circulam por escombros de guerra, corpos caídos, fronteiras de morte (a nossa e a dos outros), a medicalização da vida, as hipocrisias democráticas. Saber se é possível (e como) ver o mundo, é outro tema forte deste livro: «os vidros das janelas / defronte ao mundo / estão sujos / como sujos estão / os vidros destes olhos» (Cereus R. & Batracotoxina).
Um livro em que a morte ronda, sempre, mesma a sua: «renascer transplantando / um caco de coração / na terra do vaso / assistindo aflito / ao pulsar sanguinário / da madrugada envenenada» (Aloe Polyphylla & Zyklon B).
A poesia de Jorge Aguiar Oliveira não se reduz, porém, aos temas, por fortes que sejam, longe disso: a energia e a intensidade da sua linguagem, de forte carga erótica, fazem dele uma das mais importantes vozes da poesia portuguesa contemporânea.