Falar do naturalismo de Rousseau não terá certamente o mesmo sentido que evocar o de Zola. Do mesmo modo, qualificar de naturalistas certas tendências da pintura renascentista não referirá as mesmas características do que, por exemplo, as do oitocentista Courbet. Assim como o naturalismo de um Darwin já pouco terá a ver com o de um de Aristóteles. É, pois, reconhecer que o naturalismo é não somente uma noção polissémica e transhistórica como até transversal, relevando tanto da filosofia como da ciência, da arte e da estética. Ela requer portanto uma abordagem múltipla para abarcar, tanto quanto possível, as suas múltiplas acepções.
O presente volume pretende desta forma encarar o termo de "naturalismo" nos seus mais diversos usos, para melhor discriminar e esclarecer os seus vários sentidos e, assim, contribuir para desfazer alguns dos equívocos nos quais ele é amiúde envolvido.
Sendo um conceito fundamental para todos os campos do conhecimento e da arte, ele pareceu-nos merecer ou até exigir um estudo abrangente.