Eis finalmente o último painel do nosso tríptico sobre os naturalismos. Depois da tentativa, nos dois volumes anteriores, de propor um percurso transhistórico e transdisciplinar para este conceito de naturalismo, o qual, no seu sentido alargado, constituiu incontestavelmente, ao longo dos séculos, o fundamento antropológico de todos os produtos culturais e civilizacionais, abordamo-lo desta feita na acepção que adquiriu, na segunda metade do século XIX, enquanto corrente estética moderna, marcada ao mesmo tempo pelo modelo da ciência e por um factor que geralmente se esquece: a afirmação do artista como individualidade original. Foi de facto um escritor, Emile Zola, que contribuiu de forma determinante para esta modernização da noção, o que lhe valeu um impacto e uma irradiação consideráveis, nomeadamente aqui em Portugal, como fica sobejamente demonstrado neste volume.