O «Haiku nem é feminino nem masculino», diz Tsuji
Momoko num volume de 1997, concluindo que «tudo o
que temos são poemas líricos e poemas de humor em
forma de haiku». Esta apreciação, vinda de uma mulher
poeta nascida em 1945, condensa perfeitamente o que é,
no Japão moderno, o pensamento feminino face à velha
forma tradicional.
Nas vinte autoras presentes nesta antologia podemos acompanhar o
percurso do haiku, sobretudo a nível temático e vocabular, desde o
século XVII até ao final do século XX, na transição para o XXI, já
que alguns títulos das poetisas presentes datam de 2000 e 2001.
Atravessamos assim um Japão quase feudal, um Japão faminto e
derrotado, após a Segunda Guerra, e um Japão actual, próspero e
ocidentalizado, cuja poesia continua a entrelaçar o mundo humano
e o da natureza, conjugando o tradicional e o contemporâneo.