A invasão russa do território ucraniano é expressão de uma transformação profunda, que tem vindo a ocorrer no plano geopolítico e acelera a transição para um cenário que obriga à redefinição das prioridades políticas das grandes organizações regionais e dos países que as integram. Já nos é possível, entre outras coisas, perceber que deste acontecimento bélico resultaram um reforço da legitimidade da NATO - organização a que volta a ver reconhecido um papel determinante na defesa das democracias ocidentais - e um aumento da coesão política no interior da União Europeia.
Sendo Portugal um Estado-Membro destas duas organizações, importará antecipar as hipotéticas consequências das transformações estruturais que estão a ocorrer, tendo em vista uma atempada e eficaz reação às mesmas. A perspetiva de um novo alargamento da UE, com a integração de vários países da Europa Oriental, constitui razão suficiente para a prossecução de uma reflexão séria sobre o nosso futuro coletivo que esteja estribada em dados informativos rigorosos.