Nesta obra de Fernanda Fragateiro, todos os pontos materiais
performizados são corpos reais de materialidade distinta. O corpo
descreve a geometria espacial num campo de acção aberto,
imprevisível e em constante renovação. A distribuição do corpo
no espaço e no tempo é condicionada pela sua corporalidade e
campo gravitacional específico, e a potencialidade cinestésica da
obra é activada por um corpo que se reinventa como figura
através do espaço desdobrado e aberto. As relações de espaçotempo
entre os planos espaciais, estes e o corpo e o seu
movimento, e a sua expressividade caracterizam a circunstância
de produção, temporalidade [permanência] e re-criação da
espacialização do espaço não-preenchido: o vazio é um lugar
desocupado pelo corpo. A representação do espaço torna-se uma
construção. O corpo designa uma realidade material e conceptual,
e um dos aspectos mais críticos da sua importância para o
entendimento da realidade é a relação entre ele e o que realmente
existe.