Partindo de uma sepultura que não passa despercebida no meio
de tantas outras, a autora parte à descoberta de Adelaide Cabete e
depara-se com uma mulher fascinante e pioneira. Foi, afinal, uma
personalidade de relevo da 1ª República, defensora pela igualdade de
direitos entre os dois sexos. Venerável Mestre da Loja Humanidade,
inicialmente formada e apoiada pela maçonaria masculina, o Grande
Oriente Lusitano, que mais tarde abandonaria. Médica ginecologista
de profissão (a 3ª mulher portuguesa a formar-se em Medicina em
Portugal), mas que também teve uma importante acção na área da
puericultura, da higiene feminina e na luta contra o alcoolismo.
Pertenceu à Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, que apoiou a
queda da monarquia constitucional. Órfã, nascida em família pobre,
sempre conheceu o trabalho: no campo. Faz a instrução primária
já depois de casada, com 22 anos e depois, em Lisboa, começou a
estudar Anatomia. No Instituto de Odivelas foi médica e professora.
Deu conferências, participou em congressos. É inspirada nesta mulher
notável que transcendeu todos os condicionalismos, que Risoleta Pedro
imagina uma história onírica, simbólica, poética onde recria o ambiente
de Alice no País das Maravilhas e coloca Adelaide Cabete, ainda criança,
perante aquilo que iria ser o seu futuro imprevisível e fascinante.