Primeira Lei da Geografia
Eduardo Jorge Duarte acredita que a poesia é por excelência o território para o discurso da paz, da liberdade, da tolerância, da empatia. Um território onde uma pessoa pode sentir-se a pertencer a qualquer coisa, a um lugar ou a uma comunidade, por exemplo; por via do espanto provocado pela beleza das palavras ou até por via do sofrimento partilhado, reforçando ao mesmo tempo a sua importância enquanto indivíduo. Geógrafo, narrador e poeta, vê a geografia como imanência, enquanto a poesia é transcendência.
Nas suas palavras, partilha: «Se uma diz quem sou, porque é o que melhor conheço, a outra permite-me ser quem quiser. Se enquanto geógrafo procuro explicar a realidade através de análises espaciais e representá-la com algum grau de abstração e generalização, recorrendo a mapas, já a poesia permite-me ir mais além, partindo da realidade tal como ela é (ou como me é dada a conhecer), para tantas outras, alternativas, que gostaria que fossem. A geografia é o chão, o físico, e a poesia é o céu, o metafísico. À partida, parecem duas coisas inconciliáveis, mas basta lembrar que desde os autores clássicos pretendemos responder a perguntas como quem somos?, de onde vimos?, para aonde vamos?, e quer a geografia, quer a poesia, se não ajudam à obtenção de melhores respostas, podem em conjunto contribuir para aprimorar e diversificar o espectro da máquina de perguntas que existe dentro de cada um de nós. Daí a geografia ser o chão e a poesia o céu. Para se dar um salto em direção ao infinito, é preciso conhecer a solidez de um ponto de apoio que nos permita o salto, o movimento, a ascensão e a queda.»