Durante o ano de governo de Sidónio Pais, os atropelos à democracia conquistada em 1910 são uma constante, com buscas nas casas dos bairros pobres, prisões arbitrárias, intimidações contínuas realizadas pela polícia e pela guarda republicana. Aurélio Fernandes, repórter no jornal Folha Popular, seguiu os passos da revolta sidonista no intuito de escrever uma reportagem. A sua família, residente no Beco do Cardoso, em Lisboa, é constituída pelo pai Carlos Fernandes, a mãe Maria Carolina, a irmã Adriana e um irmão, António, que está a combater na Flandres, e de quem não há notícias.
Entretanto, o pai de Aurélio é preso, prisão que se repete mais tarde, desta feita tendo sido desterrado para Angola. O motivo da prisão é ridículo. Deu-se apenas por Carlos Fernandes ser um elemento do Partido Democrático. Aurélio tem um sonho. Ir viver para o Brasil. O estado do país e da família levam-no a aceitar um convite para pertencer a um grupo revolucionário opositor ao regime. Aceita e calha-lhe em sorte, ou azar, o assassínio de Sidónio Pais. As coisas tinham chegado a um ponto que não admitia outra saída.
Enquanto prepara a sua atuação, reconhece que outros dois cidadãos tentaram matar o Presidente-Rei, em momentos diferentes, mas falharam o alvo acabando presos. Aurélio não desiste. Chegara a sua oportunidade.