Agustina: uma mulher controversa, uma vida extraordinária, uma obra genial.
«Mas tenho uma história, e que história. […] Ninguém a conhece.» Era com estas
palavras enigmáticas que, aos setenta anos, muito perto da viragem do século,
Agustina Bessa-Luís perspetivava a sua existência. Já nessa altura contava com
mais de cinquenta títulos, entre romances, contos, biografias, peças de
teatro, ensaios, livros para a infância e de memórias, dialogando com a
História, com a sociedade que a rodeava, com outros escritores, com outros
artistas.
Desde cedo, Agustina revelou ter consciência de que não era uma pessoa
convencional. Não foi uma criança comum. Não casou nas circunstâncias que se
esperariam de uma rapariga da sua condição social. Não foi a típica esposa e
mãe burguesas. Não foi a apoiante política esperada. Nunca se afirmou
feminista, mas a sua história de vida foi mais radical e corajosa do que a de
muitas feministas convictas. E, como escritora, raros são os que têm dúvidas
em apontá-la como uma das mais geniais e complexas personalidades da
literatura em língua portuguesa.
Através de uma pesquisa extensiva e rigorosa, baseada em dezenas de
entrevistas, testemunhos, documentários, registos oficiais e textos
epistolares, estabelecendo pontes constantes com a obra literária de Agustina,
Isabel Rio Novo, uma das mais talentosas romancistas portuguesas da
atualidade, reconstitui o percurso de vida de uma figura ímpar da nossa
cultura contemporânea, numa biografia que se lê como um romance.