Tudo Espantalhos, título do drama em três actos e sete quadros sobre o Abade Faria (1756-1819) —
português de Goa, de ascendência brâmane e padre católico, figura proeminente da história da psiquiatria
e da psicoterapia moderna, desenvolveu em Paris a hipnose como tratamento para as perturbações de
comportamento. O título é a tradução adaptada de Hi sogli baji, frase em concani que o pai lhe segreda
quando uma branca suspende o início do sermão no Palácio de Queluz, perante a Rainha D. Maria I e a
corte que acorria à missa de Domingo.A peça recria a vida do Abade Faria desde a chegada a Lisboa, vindo
de Goa aos quinze anos, até à morte em Paris, mas também na ficção de Alexandre Dumas, que o
imortalizou em O Conde de Montecristo, bem como a riquíssima época em que viveu, tanto na História de
Portugal (entre o terramoto de Lisboa e as vésperas da Revolução Liberal de 1820) como na da Europa
(entre o reinado de Luís XVI, a Revolução Francesa e a queda de Napoleão).