Quantas histórias poderíamos contar sobre cada um dos sítios das nossas ruas, sobre as conversas de amigos no soto da esquina, no reservado do café, no tanque de lavar a roupa, no tronco de ferrar as bestas, no adro da igreja, no recreio da escola, à porta da repartição pública?!… e esse hábito, eu direi mesmo, essa arte de ser Moncorvense, que ganhava particular expressão no passeio público da praça redonda?!
[…] Tal como as pessoas, as terras têm sua própria história, o seu carácter e a sua ambiência, única e inconfundível, forjada ao longo de séculos, por gerações e gerações de homens. A perda de memória será a mais cruel das tragédias humanas, a doença que despersonaliza o homem e o coloca ao nível do irracional. E se ao nível individual isso é verdade, o mesmo se passa ao nível coletivo. A perda da memória das vivências comunitárias leva necessariamente à destruição da cultura local. E sem cultura local, não existe verdadeira cultura. E foi com este sentimento que eu escrevi este pequeno livro sobre as ruas e largos da nossa terra.