Robert Walser é um tagarela que nada diz, quase nada. Humilíssimo, aspirando à insignificância, classificando-se como um criado, é um rei secreto. Recusa-se à viagem, mas imaginamo-lo numa selva de Henri Rousseau.
Fortificou-se por detrás de uma muralha de microgramas, escrita miniatural, quase ilegível, onde reina sobre centenas de personagens que, mal surgem, logo desaparecem. Lembram vaga-lumes. Passeia, dispersa a atenção pelo mínimo, ou eleva-se acima do mundo, num balão de ar quente. O sentido rarefaz-se. Robert Walser sabe mais do que pode dizer.