"Para Morrer", de José Rui Teixeira, está muito distante do seu primeiro livro, "Quando o Verão Acabar". No livro agora editado, recursos, imagens e meios encontram-se; é um livro entre o amor e a morte, os dois braços do homem — o amor que salva da morte, o amor que se constrói pela eterna proximidade da morte: "Somos todos sonâmbulos num mundo de gárgulas,/ funâmbulos no desenho dos caminhos, frágeis porções/ de movimento entregues ao peri¬go da predação./ (...) A incisão profunda da lâmina. A telúrica humidade/ do sémen. A noc¬turna rendição dos corpos." O discurso poético deste livro sobrepõe-se a um tom bíblico de reflexão sobre a precarie¬dade da vida face ao grande insuperável, a morte; enceta um diálogo consigo mesmo, com o outro do amor mas sobretudo com o outro morto, em absoluto, sobretudo com a figura materna, raiz desapare¬cida de si.