A vida de um ursinho e de um tigrezinho sofre uma
reviravolta quando aparece a boiar no rio uma caixa
proveniente do Panamá e que cheira a bananas. A partir
desse momento, o Panamá torna-se no país dos seus sonhos
e por isso decidem empreender uma longa viagem para lá
chegar. Com uma panela vermelha, um anzol e um patotigre
de brincar, iniciam uma caminhada ao longo da qual
conhecerão um rato do campo, uma velha raposa, uma
vaca, uma lebre, um ouriço-cacheiro e uma gralha.
Depois de uma primeira etapa em que a obra de Janosch
manteve um tom de fundo político associado ao contexto
histórico da época, seguiu-se uma outra após a publicação,
em 1978, de "Oh, que lindo que é o Panamá", e a partir da
qual histórias como esta, protagonizadas por animais
humanizados, punham em destaque o valor da amizade. O
Panamá é o locus amoenus muito particular do tigre e do
urso, e a sua viagem idílica em busca desse lugar está
relacionada com a maturidade pessoal, a aventura
quotidiana e a descoberta de novas emoções.
Com umas ilustrações alegres e coloridas, clássicas e planas,
bem ao estilo infantil, esta intimista narrativa de Janosch,
atravessada por um rasgo sentimental de inocência e
optimismo, destila humor, e culmina num final inesperado
que excede as expectativas das próprias personagens.