A guerra rebenta em Espanha e o Japão invade a China.
Uma relação extraconjugal nos Açores, o atentado contra Salazar
e as intrigas palacianas em Tóquio aproximam o coronel Artur
Teixeira do cônsul Satake Fukui na mais imprevisível e perigosa
das cidades - a Berlim de Adolf Hitler.
Lian-hua, a chinesa dos olhos azuis, está prometida a um desconhecido
quando vê os japoneses entrarem em Pequim e a sua
vida se transforma num inferno. O mesmo espetáculo é observado
pela russa Nadezhda Skuratova em Xangai, onde se apaixona
por um português que a forçará a uma escolha impossível.
A Berlim do blackout, dos boatos e das anedotas, do Hotel Adlon,
das suásticas que brilham à noite e das lojas vazias com vitrinas
cheias; a Pequim das mei po casamenteiras, dos chi pao de seda, dos
cules e dos riquexós; a Tóquio do Hotel Imperial, dos golpes no
Kantei, do zen e dos códigos de honra giri e ôn; e a Xangai da
Concessão Internacional, dos portugueses do Clube Lusitano, dos
néones, do Bund, das taxi-girls russas e dos bordéis.
Senhor de uma prosa sem igual, José Rodrigues dos Santos está
de regresso ao grande romance com a conclusão da história inesquecível
das quatro vidas que o totalitarismo moldou. Lendo-se
como um romance autónomo, O Reino do Meio encerra em grande
estilo a polémica Trilogia do Lótus, uma das mais ambiciosas e controversas obras da literatura portuguesa contemporânea.