«— Magoei-te?
— Não.
— Estás zangado comigo?
— Não.
Era verdade. Naquele momento tudo era verdade, visto que ele vivia a cena em estado bruto, sem se interrogar, sem tentar compreender, sem suspeitar sequer que chegaria a altura em que qualquer coisa haveria a perceber. Mas não só tudo era verdade como tudo era real: ele, o quarto, Andrée, que continuava estendida sobre o leito em desalinho, nua, as pernas entreabertas, com a mancha sombria do sexo de onde brotava um fio de esperma.
Era feliz? Se lho tivessem perguntado, responderia sim sem hesitar. Nem lhe passava pela cabeça zangar-se com Andrée por esta lhe ter mordido o lábio. Este facto fazia parte de um conjunto, assim como o resto, e ele, igualmente nu, de pé, em frente do espelho do lavatório, dando pancadinhas no lábio com a toalha embebida em água fria.
— A tua mulher vai fazer-te perguntas?
— Creio que não.»