Havia uma família — pai, mãe e irmãos. Depois, nesse microclima
único e irrepetível — como são todas as famílias —, nasceu um menino.
Uma criança de olhos bem negros, que se perdem no vazio; uma criança
sempre deitada, com bochechas rosadas e pernas translúcidas, nas quais
se veem pequenas veias azuis; um bebé com um fio de voz puro e feliz,
pés arqueados e palato elevado — um bebé eterno, uma criança inadaptada
que traça uma linha invisível entre a família e o resto do mundo.
Esta é a história de uma família: da que existia antes; da que se confronta
com um bebé que descobrem diferente; da família que parece ir desabar
e depois se transforma e reconstrói, lenta, dolorosa e amorosamente em
redor de uma criança; da família que se adapta ao que cada um sente,
na pele, no corpo, na alma; e da família que fica, depois daquele menino,
que criou um laço inquebrantável, entre irmãos, para sempre.
Esta é a história desse menino pelos olhos dos três irmãos: do mais
velho, que o adora e protege; da irmã do meio, que se revolta e quer
proteger a família; e do mais novo, que reconcilia as três vozes e une as
histórias de O Nosso Irmão.