Neste ensaio Luís Ribeiro revela-nos a importância do efeito do ruído e como foi determinante para a cultura do século XX, nomeadamente no domínio das artes, e para o avanço da tecnologia que suporta a maioria dos aparelhos de reprodução. Com a desterritorialização do espaço e do tempo, o século passado assistiu à construção de novos territórios pelo som e, na electrónica, à emersão de hiper-territórios que constituem o essencial da música contemporânea. Noutro lado, coincidindo ou em paralelo, o ruído, sobretudo na música, estabeleceu-se como espelho de um quotidiano ruidoso, primário, a partir do qual é possível pensar as relações que o humano tem mantido à superfície do mundo. Uma espécie de prosa audível que também é visível nas grandes obras literárias do século findo.