O Canto e as Armas

de Manuel Alegre 

Bertrand.pt - O Canto e as Armas

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Antes de 25 de abril de 1974, ler estes livros era revolucionário Dizia o escritor Mário Dionísio que “sem cultura, não pode haver liberdade, mas só um perigoso simulacro”. Até à Revolução dos Cravos, as imposições ditatoriais queriam que Portugal fosse esse simulacro: a Cultura que não se vergava perante os critérios vigentes era censurada, perseguida, violentada até ser calada. A literatura tinha uma particularidade: a censura só agia depois da publicação. No caso de jornais, revistas, peças de teatro, filmes e programas de televisão, existia uma censura prévia, impossibilitando algumas delas de ver a luz do dia. Mas os agentes da PIDE não tinham capacidade para examinar todos os livros que saíam, por isso, ainda que fossem proibidos e apreendidos, havia sempre a possibilidade de alguns fazerem o seu caminho e serem lidos por alguém. Parte dos relatórios de censura foi perdida depois de, no dia 26 de abril de 1974, vários populares terem invadido a sede da polícia política em Lisboa. Três poemas de Manuel Alegre Hoje celebramos os 90 anos de Manuel Alegre, poeta, romancista e figura central da política portuguesa. Combatente do Estado Novo, exilado e colaborador da resistência, regressou após o 25 de Abril e contribuiu para a Constituição de 1976, mantendo uma carreira política destacada. A sua obra literária, marcada pelo amor, liberdade, memória e Portugal, inclui títulos como Jornada de África, Cão Como Nós, Praça da Canção e Livro do Português Errante. Vencedor do Prémio Pessoa (1999) e Prémio Camões (2017), Alegre continua a tocar gerações com a sua escrita.
Prémio Camões
Editor: Dom Quixote
Edição: março de 2017
Formatos Disponíveis:
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«Breviário de uma geração, O Canto e as Armas articula paciente, mas indesistivelmente, aquilo que o autor segreda ao ouvido de uma mítica destinatária, a quem interpela como "Penélope que bordas de saudade", e no "amor em que me prendes", e que "é Liberdade", "palavra clandestina em Portugal / que se escreve em todas as harpas do vento." Contrapondo a incandescência das "armas" a uma outra, e porventura utópica, a do "canto", esta voz remete-nos a um destino hegemónico que consagra os artefactos da alta poesia, os quais, publicados e apreendidos pela censura, mas circulando em cópias manuscritas e dactilografadas, e novamente apreendidas, e novamente publicadas, duram como se verifica quatro décadas mais tarde. Eis pois o que erige um poeta, e o que o assinala, para além de quanto ele for, e de quanto quiser assinalar. Calem-se definitivamente, ou quase, as armas multímodas, e até as que se guardarem no avesso do gabão para surgirem em solertes assaltos. Só nesse instante o canto, o de Manuel Alegre, e o nosso através dele, poderá escutar-se em perfeita serenidade.»
(do Prefácio de Mário Cláudio)

O Canto e as Armas
ISBN:
9789722061810
Ano de edição:
03-2017
Editor:
Dom Quixote
Idioma:
Português
Dimensões:
157 x 211 x 10 mm
Encadernação:
Capa mole
Páginas:
144
Tipo de Produto:
Livro
Classificação Temática:
EAN:
9789722061810

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