«Como se o mundo existisse, eu diria, dos livros de Ana Teresa Pereira, que os lemos ou nos lêem nesse limiar da morte e da infância de um desejo desde sempre recém-nascente, que — em branco, à tona do vazio sem data que se abre entre dois dias — repassa todo o tempo que passa do infinito do tempo que não passa, e é o nunca-sempre deste Neverness sem fim.
Nunca-sempre do infinito do tempo, atravessando essa eternidade da charneca, cuja Neverland este Neverness transfigura, me aventuro agora a deixar que me leia assim:
Neverness
A morte viera adormecê-los mas despertava-os Por isso agora no meio da urze e do nevoeiro um ao outro abraçados perdem-se e vagueiam na eternidade da charneca que clareia até que já não possam morrer sem acordar»
Miguel Serras Pereira