Atrever uma perspectiva poética acerca do processo que transita os corpos de uma dimensão para a outra, desdramatizando a vertente hermética, é um ofício de transgressão conceptual, pura liberdade de ir e de vir, diria até, um exercício de promiscuidade saudável entre vivos e mortos, considerando que à vista desarmada, e por analogia, é impossível distinguir uma flor que morre da flor gémea reposta na estação seguinte. Assumo esta forma particular de respirar as palavras podando-as consoante a emergência do desassossego.