Bertrand.pt - III Colectânea de Poesia Lusófona em Paris

III Colectânea de Poesia Lusófona em Paris

de Adélio Amaro e Frankelim Amaral 

Editor: PORTUGAL MAG
Edição ou reimpressão: junho de 2019
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«Ano após anos a Colectânea de Poesia Lusófona em Paris vai ganhando as suas raízes, vitalizando o sonho, nesta forma singular em que coabitamos com a realidade que camuflamos, esperando que a pedra filosofal dê cor ao nosso mundo, pelas mãos de uma criança que já vai no seu terceiro ano.

Com este terceiro volume são mais de 600 poemas, de quase 200 autores, naturais de 15 países, que a chan¬cela da jovem, mas ambiciosa, Portugal Mag Editora, vai dando ao prelo, sendo que, este é um projectos dos autores que nele participam e a editora apenas faz a coordena¬ção institucional e oficial, sem fins lucrativos, mas com a ambição de promover os poetas da Língua Portuguesa.

Vivemos circundados de desejos, de anseios, de sementes ofuscadas e de anelas clandestinas, infindável¬ mente com o objectivo atónito de atracar no ancoradouro dos nossos sonhos.
Envolvemo-nos de incertezas, galgamos os vales de montanhas imaginárias e deixamo-nos arrastar pela rudimentar quimera que se enovela em nossos pés e nos faz tropeçar.

Devaneamos, ensaiamos enganar o intuito, mes¬mo de olhos bem abertos, e soltamo-nos à agitação da aparência almejando avassalar o sonho que habita no horizonte sublime.

Partimos para conquistar o sonho desejado, confrontamo-nos com o paredão da dificuldade, com o muro da desilusão e com a muralha da frustração que nos fazem angariar revoltas… Sublevações que nos obrigam a semear sonhos pelas valetas do asfalto que vamos deixando para trás.

A grandiosidade do sonho, quando infesta a reflexão, torna-nos grandiosos dentro do nosso alguidar de concepções.

Porém, um renovado sonho, mesmo no nosso ínfimo e recôndito ser, rejuvenesce-nos e arremessa-nos para mais um atalho de procura.
Afiançamo-nos, sempre, na realização dos sonhos, mes¬mo os que parecem irrealizáveis. Jamais nos enfadamos de sonhar e chegamos mesmo a sonhar sobre os nossos sonhos.

Tal como escreveu Fernando Pessoa (1888-1935), no seu Livro do Desassossego: De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono em sonhos em que estamos despertos.

Sonhar faz parte da utopia da nossa vida. Sonhamos para nós e fantasiamos para os outros.
Lançamos na terra dos sonhos a semente desta III Co¬lectânea e ambicionamos observá-la a crescer.
Porque, nessa terra, como canta Jorge Palma, podemos ser nós próprios, porque ninguém nos leva a mal.

Nessa terra sonhamos de livre vontade, projectamos os nossos sonhos para cima de uma mesa plantada numa fajã de delírios como se de um banquete se tratasse.
Na terra da imaginação plantamos a árvore dos so¬nhos. Regamo-la, podamo-la e quando esta conceder a flor co¬meçaremos a arquitectar uma escada, de preferência segura, sem degraus adulterados ou superiores ao que a nossa perna abarca. O fruto nasceu... Agora, ascenderemos para colher cada um dos sonhos que irá pintalgando a copa da árvore.

Como na vida, a árvore da III Colectânea de Poesia Lusófona em Paris só nos outorgará frutos se a compreender¬ mos e soubermos conservar. Estimando-a, protegendo-a das intempéries e salvaguardando-a de utopias que converteram os sonhos em cobiças e não se importam de derribar a mais humilde árvore na exploração do arvoredo da ganância e da inveja.

A fim de impedir que o sonho esporeie o bilhete da vida no garrote do pesadelo, devemos agarrar a nossa árvore e coadjuvá-la no seu crescimento. Se esta tiver de sucumbir que seja de pé, sem se vergar aos estereótipos da fantasmagoria compulsada por concepções malévolas.

Porque, vaguear pela Lusofonia faz-nos pensar, imagi¬nar e mesmo sonhar com a Cultura que fortifica as raízes de um povo. Faz-nos adormecer pela poesia do vento, embalado pelas nuvens do sonho.

Por isso, escrever é algo mais do que espalhar letras, entornar palavras ou construir frases. Escrever é transmitir ideias, é concretizar desejos, é realizar sonhos, é prolongar a firme voz de comunicar. Escrever é cunhar identidade pela diversidade cultural que une países, regiões, cidades e aldeias.

O Padre António Vieira (1608-1697), referido por Fernando Pessoa como o Imperador da Língua Portuguesa, deixou gravado na sombra do Oceano da Lusofonia que um Livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive.

A Lusofonia que se espalhou ao longo dos séculos e inundou Continentes, continua bem viva através das semen¬tes que todos os dias se lançam ao vento, na esperança de um dia germinarem e darem os seus frutos.

Foram imensos os homens e mulheres que muito de¬ ram às Letras da Lusofonia, que espelharam as suas palavras e as suas frases no reflexo de oceanos de letras.
A III Colectânea de Poesia Lusófona em Paris é mais uma laje na senda do engrandecimento da Língua Portu¬guesa, tenha ela ou não algemado um acordo ortográfico. Essa elevação consagra-se a todos os Poetas que se congre¬gam a este projecto. Que acreditam. Que o entendem. Que o acarinham...

É um desígnio, como desde o início foi arcado, que tem como finalidade a promoção dos Poetas e a Língua Portu¬guesa. Só isso nos possibilita melhorar edição após edição.
A todos os Poetas, mais ou menos eruditos, mais ou menos doutos, temos que agradecer e autenticar o respeitante valor. Agraciar, não apenas com palavras, mas também com acções. É, essencialmente, um projecto de Esperança…

Incansavelmente içamos a bandeira da Lusofonia no mastro da Literatura, almejando que a alucinação das nu¬ vens que telham o azul do céu, nos sirvam o sonho de bandeja.
Quando idealizamos, esperançados na conquista da promoção da Língua Portuguesa, conseguimos exaltar as nossas ambições e derreter o lacre de todas as muralhas que continuamente surgem no nosso caminho.
É um curso longo a percorrer...

Com a Lusofonia acondicionada na algibeira do pen¬samento, sempre preparada a ser usada, vamos arremetendo o isco ao nosso âmago com a ascensão da nossa Língua, seja promovendo os grandes nomes da Literatura Lusófona ou lançando ao rio da Cultura as nossas ideias, os nossos pensa¬ mentos, os nossos poemas, como pescador que horas a fio vai acreditando e amparando a esperança de um peixe pescar. Mas, mesmo para pescar, é terminante aprender a esperar, sem desbaratar a esperança.

A Lusofonia é muito mais do que países físicos. A Lu¬sofonia não pode estar limitada a fronteiras. Tem de deixar marcas, não como barco que desenha no oceano o seu rasto em direcção ao horizonte, mas sim, vincar na pedra cultural a nossa rota, rumo à certeza.

A III Colectânea de Poesia Lusófona em Paris é o en¬contro entre diversos poetas de variados e longínquos países, onde a distância é apenas terrena. É a união da Língua que consegue galgar todas as barreiras. É o encontro de todos aqueles que falam Português, independentemente da sua ideologia política, religiosa, cultural ou social.

É a Lusofonia Poética que Cecília Meireles (1901- 1964) defendia como um espaço para publicação de música e de poesia de poetas da Língua Portuguesa. É o encontro do mesmo idioma, mas de cores variadas.

É neste horizonte de união, de encontro, que a III Colectânea de Poesia Lusófona em Paris pretende levar, o mais longe possível, as mensagens que os poemas dela transbordam.

Esta é uma Colectânea que até pode ser a Última flor do Lácio, como Olavo Bilac (1865-1918) defendia a Língua Portuguesa. Mas será, sem desprimor, mais uma pequena raiz a vingar no solo da incerteza. Uma raiz que dará a sua planta, flor e fruto e conseguirá contender contra todas as intempéries.

Por isso, é que existe este encontro, esta união entre todos os Poetas que abraçam este projecto. A III Colectânea de Poesia Lusófona em Paris é de todos vós, Poetas. É de todos aqueles que honram e louvam a Língua Portuguesa.

E, enquanto admitirmos que vale a pena altercar pela Língua Portuguesa, como advogou Fernando Pessoa, deve¬ mos ter esperança porque as angústias mais cerradas deixam sempre clareira alumiada por uma réstia de esperança, como decretou o punho de Camilo Castelo Branco (1825-1890).

Sonhamos e conseguimos, com todos os autores, levar bem longe este projecto que já une Continentes sem pensar em raças ou religiões, mas sempre a criar laços que se unem e transformam na grande árvore da Língua Portuguesa que é a Lusofonia. Porque O mar da minha vida não tem longes como enalteceu o poeta açoriano Armando Côrtes-Rodrigues (1891-1971).

Por isso, a III Colectânea de Poesia Lusófona em Paris é mais um sonho nesta rede que pesca poesia...»

Adélio Amaro
Frankelim Amaral
Coordenadores da Colectânea de Poesia Lusófona em Paris

III Colectânea de Poesia Lusófona em Paris
ISBN: 9791097370107 Ano de edição ou reimpressão: 06-2019 Editor: PORTUGAL MAG Idioma: Português Dimensões: 167 x 237 x 13 mm Encadernação: Capa mole Páginas: 208 Tipo de Produto: Livro Classificação Temática: Livros  >  Livros em Português  >  Literatura  >  Poesia

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