«O assassínio que deu origem aos Beats» tornou-se uma
história muitas vezes contada, mas não foi a morte de
Kammerer que embalou o berço dos Beats; foi a força vital,
intelectual e sexual, do adolescente Lucien Carr, alimentado
por Kammerer desde a puberdade numa dieta rica em
excessos poéticos: o sopro divino de Baudelaire; os actes
gratuits de Gide; e a ligação apaixonada entre Verlaine e
Rimbaud. E depois Dave e Lucien caíram na loucura,
representando esses papéis malditos nas suas próprias vidas.
Em E os Hipopótamos Cozeram nos seus Tanques, Jack e Bill
retrataram um caso trágico de uma relação mentor/discípulo
que correu mal e a natural crueldade da juventude. No entanto,
a dificuldade ficcional [neste romance] estava em que a morte
de Kammerer não foi o termo de uma história, mas o começo
de uma outra. Com Kammerer morto e Carr preso, restavam
três: Burroughs, Kerouac, e Ginsberg... E embora nenhum
deles tenha visto a sua obra publicada na década que se
seguiu à morte de David, foram eles que o destino quis ver
reconhecidos, literariamente e não só."
E os Hipopótamos Cozeram nos seus Tanques é o livro
perdido de W.S. Burroughs, o livro perdido de Kerouac, o livro
que permaneceu inédito durante mais de 60 anos e se tornou
uma lenda.