Ao contrário de outras Ditaduras, que dissolveram todas as instituições associadas ao liberalismo e a democracia, o Estado Novo manteve um simulacro de poder legislativo, realizou regularmente eleições não competitivas, permitindo até a apresentação de candidaturas da oposição a partir de 1945. Contrariando as aspirações de muitos corporativistas, Salazar não eliminou integralmente as instituições herdadas do liberalismo e não deu a Câmara Corporativa o monopólio da representação. Mantiveram-se assim duas Câmaras, com os seus deputados e procuradores, ainda que os seus poderes fossem reduzidos perante a toda-poderosa Presidência do Conselho chefiada por Oliveira Salazar. Apesar disso, por ambas as Câmaras passou quer o reduzido "pluralismo limitado" do regime, quer uma pane da elite do Estado Novo.
Aqui se apresentam as biografias dos deputados a Assembleia Nacional e procuradores a Câmara Corporativa. Encontrar elementos de informação sobre eles foi, ao contrário do que se poderia supor, um trabalho bastante moroso e nem sempre fácil. Se, no caso dos deputados, os historiadores que escreveram as biografias conseguiram recolher bastante informação, já o mesmo não foi alcançado para muitos procuradores a Câmara Corporativa, cujas biografias são ainda lacunares.