«A oposição em Portugal no início anos 40 encontrava-se num estado de total desgoverno (...).As principais preocupações de Salazar, neste Outono de 1942, não seriam comunistas ou anarquistas, republicanos ou reviralhistas, mas antes as contestações populares de Outubro-Novembro (...) e a passagem por Portugal do pseudo pretendente ao trono de Portugal (...) Desta forma, o aparelho eleitoral legal, apesar de teoreticamente apresentar um quadro competitivo, não teria de se preocupar com questões de conflito eleitoral e poderia dedicar os seus recursos à organização de uma campanha plebiscitária de inculcação das mensagens do regime.
O acto de votar durante o Estado Nova era semi-público. As urnas eram colocadas junta da mesa eleitoral e não existia cabina de voto. Aos eleitores eram entregues, em casa ou por correspondência, os votos, cabendo-lhes depois deslocarem-se às secções de voto para os depositar na urna. Os votos negativos eram efectuados pelo eleitor na sua privacidade, uma vez que a lista de candidatos era obtida antecipadamente, não existindo assim nenhum processo individual onde o eleitor recebesse — apenas no dia da eleição — o voto e depois se deslocasse à cabina de voto para aí proceder às suas escolhas.»
José Reis Santos