P. W. Singer, especialista, internacionalmente reconhecido, em assuntos de guerra
do século XXI, escreve sobre como uma nova estratégia de guerra utilizada quer
pelos exércitos quer pelos senhores da guerra teve como alvo as crianças, procurando
transformá-las em soldados e em terroristas.
O autor escreve sobre como o primeiro militar americano morto por arma inimiga
no Afeganistão - um boina verde - foi mortalmente atingido pelos disparos de um
adolescente afegão de 14 anos; como um médico americano das Forças Especiais
foi morto por uma granada lançada por um rapaz de 15 anos recrutado pela al
Qaeda; como entre os suspeitos de militarem nesta organização terrorista detidos
pelas forças norte-americanas no Iraque se encontravam mais de uma centena de
crianças com menos de 17 anos, e como centenas de pessoas que foram feitas
reféns na Tailândia foram mantidos em cativeiro pelo chamado "Exército de Deus,"
liderado por gémeos de 12 anos de idade.
Entrevistando crianças-soldados ao logo de todo o livro, Singer analisa a forma
como estas crianças são recrutadas, abduzidas, treinadas, e finalmente enviadas
para lutar em lugares violentos devastados pela guerra, desde a Colômbia e o Sudão
a Kashmir e Serra Leoa. Escreve sobre crianças que foram doutrinadas para combater
as forças norte-americanas no Iraque e no Afeganistão; sobre rapazes iraquianos
com idades compreendidas entre os dez e os quinze anos que receberam treino
militar de armas de tácticas para se tornarem as Ashbal Saddam (Crias de Leão) de
Saddam Hussein; de jovens refugiados das escolas islâmicas paquistanesas que
foram recrutados para ajudar os Talibã a conquistar o poder na guerra civil afegã.
O autor, Associado do departamento de Segurança Nacional do Instituto Brookings
e director do Projecto Brookings sobre a Política Norte-americana relativamente ao
Mundo Islâmico, analisa a forma como este fenómeno surgiu, e de que forma as
perturbações sociais e as falhas de desenvolvimento nos modernos países do
Terceiro Mundo conduziram a um conflito global maior e a uma instabilidade que gerou um novo grande grupo de recrutas. Singer escreve sobre a forma como a
tecnologia tornou as armas de hoje mais pequenas e mais leves, consequentemente,
mais fáceis de transportar e manejar por crianças; como vivem mil milhões de
pessoas nos países em vias de desenvolvimento onde a guerra civil faz parte do
quotidiano; e como algumas crianças - sem comida, roupas ou família - se tornaram
soldados voluntários como única forma de sobrevivência.
Finalmente, Singer torna claro como o governo norte-americano e a comunidade
internacional têm de enfrentar esta nova realidade da guerra contemporânea, como
aqueles que beneficiam com o recrutamento de crianças para soldados têm de ser
responsabilizados, como as forças armadas do Ocidente têm de estar preparadas
para lutar contra crianças, e de que forma os programas de reabilitação podem
reverter este terrível fenómeno e transformar as crianças-soldados novamente em
crianças.