Bertrand.pt - Arquitectura e Modos de Habitar N.º 12

Arquitectura e Modos de Habitar N.º 12

Conversas com arquitectos - Nuno Portas

de Carlos Nuno Lacerda Lopes 

Editor: Edições CIAMH
Edição: maio de 2021
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Nuno Portas, sempre a dobrar...

Nuno Portas diz: "Os arquitectos ainda estão na fase de estarem convencidos que inventam a língua em cada edifício, subestimando o conhecimento das actividades de múltiplos agentes económicos, culturais, administrativos, consumidores, etc. que estruturam, permanentemente, o campo em que a sua intervenção se vai dar. Ora é nessa teia de decisões que a arquitectura muitas vezes é decidida, para o bem ou para o mal, e não pelos arquitectos individualmente, mas directa ou indirectamente, também por engenheiros, por economistas, pró-agrónomos, etc., e, sobretudo, por uma quantidade de agentes sociais e políticos, de cidadãos, que não estão especialmente qualificados para entender os problemas da arquitectura, tal como nós, arquitectos, os entendemos".

Só depois, mais tarde, interiorizei Nuno Portas como um Arquitecto que via a arquitectura de um modo diferente, onde fazer o programa, discutir a norma, avaliar a intenção e objectivar a necessidade de espaço e as suas dimensões ou símbolos era também ser arquitecto, fazer arquitectura e, quantas vezes, fazer a melhor arquitectura. Ou seja, o processo - tudo o que se faz e sabe, antes, durante e depois de produzir um qualquer objecto arquitectónico - é também, para Nuno Portas, arquitectura.

Houve um outro momento marcante com Nuno Portas: uma visita de estudo ao Alentejo. Magro, vestido de preto, apeado à beira da estrada… Recordo a sua entrada na camioneta, na excursão, para nos levar a uma pedreira de família, onde, a seu lado, tive oportunidade de conhecer o processo de extracção e de diferenciação do mármore e as suas utilizações. Impressionou-me, sobretudo, um mármore de veio arroxeado ou lilás, pela sua qualidade, pelo seu desenvolvimento cromático e reflexo de luz. Mármore D. Nuno - assim baptizado, em sua honra, aquando do seu nascimento. Foi precisamente este mármore que procurei quando, mais tarde, já arquitecto, projectei as Capelas Mortuárias de Espinho, onde ele assume especial relevância e presença.

Guardei muito dessa viagem e desse Nuno Portas construtor, empreiteiro e também conhecedor de vinhos e azeites, de outras agriculturas e banalidades… Mas, o que mais me surpreendeu foi a casa de Vila Viçosa - de tal forma que fui voltando a ela, em diversas vezes que, por motivos profissionais, fui ao Alentejo. Voltava a ela procurando outras leituras e, sobretudo, algumas justificações para compreender o enigma que este lugar/território/habitação nos propõe, mais ainda se atendermos ao confronto latente entre o domínio do projecto/forma/programa e o domínio da vertente simbólica/comunicação/linguagem - provocação que, paradoxalmente, a meus olhos, o autor, depois dessa obra, parecia ter desistido de repetir, ou de querer voltar a fazer...

Entre muitas, há uma frase de Nuno Portas que importa reter, quando diz que os arquitectos não voltam ao local do crime, referindo-se à falta de comunicação entre arquitecto e usuário: "[…] o espaço arquitectónico perde-se na sua consciência de si próprio. O arquitecto raramente volta ao lugar do crime, não comunica com o usuário e por isso os espaços das casas construídas são espaços de outras coisas, espaços que dão para viver como hoje em dia quase tudo dá!".

É certo que Portas, como se percebe através dos inúmeros inquéritos que realizou, foi várias vezes aos seus lugares, regressando também às suas obras, às suas arquitecturas anónimas, às suas pedreiras, às suas cidades, às suas câmaras, às suas políticas, às suas ideias, às suas visões, aos seus textos, às suas investigações, às suas metodologias, às suas críticas, às suas dúvidas, às suas histórias, às suas memórias, às suas cachimbadas…

Há uma frase de Almada Negreiros que gosto de citar, repetindo-a com frequência até a mim mesmo, onde aborda precisamente a necessidade da revisita, da releitura e da repetição como um factor de aprendizagem fundamental e directamente proporcional ou correlacionado com os factores psicológicos ou de inteligência de quem lê uma obra: "Todos os meus livros devem ser lidos pelo menos duas vezes para os muito inteligentes, daí para baixo...é sempre a dobrar".

A entrevista, que agora se publica, é um convite para ler, ver, visitar as obras de Nuno Portas - pelo menos duas vezes para os muito inteligentes... daí para baixo será sempre a dobrar.

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Conversas com arquitectos - Nuno Portas
ISBN: 9789899880856 Ano de edição: 05-2021 Editor: Edições CIAMH Idioma: Português Dimensões: 145 x 220 x 10 mm Encadernação: Capa mole Páginas: 134 Tipo de Produto: Livro Coleção: Conversas com Arquitectos Classificação Temática: Livros  >  Livros em Português  >  Arte  >  Arquitetura
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