Para Pessoa, Nemésio e Drummond, ainda que diferentemente, a condição da poesia é como a dos enigmas. A consciência dessa condição levou os três autores a ensaiarem leituras de si mesmos: em Pessoa, essas leituras são constates; e Nemésio e Drummond, para além de nos seus poemas se lerem continuamente, dão-se a ver, no meio dos seus caminhos de autores, como leitores da sua poesia.
Os poemas atraem e afastam os seus leitores (mesmo quando estes são também os seus autores): e toda a leitura crítica não é senão um apontamento, um vislumbre e o reconhecimento de uma distância.