A Tirania da Erótica é já obra de referência. O seu autor, que é médico psiquiatra, na senda da pós-modernidade constrói um texto romanesco que é, concomitantemente, ensaístico.
Há pois o apelo a vários níveis de leitura captáveis por diferentes públicos. Acresce a isto o facto de usar de uma escrita clássica, de sabor camiliano, adaptando a selecção lexical ao cariz das personagens, sua marca distinta, já observável noutras publicações.
Poucos escritores têm, em Portugal, como Carlos Mota Cardoso (aqui escondido sob o pseudonímico João Trambelo), o domínio purista da língua portuguesa, que vai da mais elegante erudição ao oportuno brejeirismo popular sem ser popularucho.