Na última década do século vinte, escândalos públicos ocorridos em vários países, e envolvendo
titulares de cargos políticos, colocaram na ordem do dia o problema da responsabilização dos
governantes e relançaram, em consequência, o debate público em torno de uma questão que se revela
central para a qualidade de qualquer democracia.
Muito por força desses desenvolvimentos, recrudesceu o interesse pela criminalidade política, pelos
crimes de responsabilidade e também pelo confronto entre a responsabilidade criminal e a
responsabilidade política. Se bem que esta última tenha sido objecto de menor atenção no contexto do
debate sobre a "criminalidade dos governantes" ela não deixa de ser um eixo fulcral de análise para a
compreensão e o estudo do nível de moralidade pública das modernas democracias.