Neste trabalho o autor começa por estabelecer a comparação entre o desenvolvimento da comunicação como ideal e algumas teorias históricas e económicas, como o iluminismo (Voltaire) e a escola fisiocrática (Quesnay) adepta da livre circulação de bens e mercadorias através da célebre frase «Laissez faire, laissez passer».
Continuando a sua comparação com a teoria económica, Armand Mattelart trabalha a análise introduzida por Adam Smith, nomeadamente sobre a teoria da divisão do trabalho. Segundo o autor, a comunicação é funcional na divisão do trabalho pois é indispensável para melhor gerir a separação das tarefas no seio da fábrica.
Segundo Stuart Mill «produzir, é mover-se» e esta máxima, que fixa o horizonte comunicacional da economia liberal da segunda metade do século XIX, é também analisada em termos de comparação da análise económica clássica com a teoria da comunicação.
Com esta obra Mattelart explica o fenómeno da mundialização da comunicação e mostra como o seu desenvolvimento apressou a mundialização das economias e das sociedades desde o século XIX ultrapassando as fronteiras físicas, intelectuais e mentais. Não se contentando em descrever, Mattelart desmistifica a ilusão de uma consciência universal repousando mais sobre o sonho de uma «República Mercantil Universal» do que sobre o de uma «Grande República Democrática».