A Boneca de Kokoschka

de Afonso Cruz 

Bertrand.pt - A Boneca de Kokoschka
Opinião dos livreiros
(3)
Opinião dos leitores
(1)
Editor: Companhia das Letras
Edição: fevereiro de 2018
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Esta é uma história sobre a importância do outro. O pintor Oskar Kokoschka estava tão apaixonado por Alma Mahler que, quando a relação acabou, mandou construir uma boneca, de tamanho real, com todos os pormenores da sua amada. Mas um dia, farto dela, partiu-lhe uma garrafa de vinho tinto na cabeça e a boneca foi para o lixo. Foi a partir daí que ela se tornou fundamental para o destino de várias pessoas que sobreviveram às quatro toneladas de bombas que caíram em Dresden durante a Segunda Guerra Mundial.

  • Surpreendente
    Ana Azenha - Bertrand Foz Plaza | 27-03-2019

    Com uma escrita poética, personagens peculiares mas encantadoras, passagens maravilhosas e histórias dentro de histórias, este é um livro fascinante onde tudo se interliga e nada é feito ao acaso. Afonso Cruz habitua-nos mal, e já não conseguimos esperar nada menos do que genial! Fabuloso!

  • A Boneca de Kokoschka - Afonso Cruz
    Ana Barroso - Bertrand Campo Pequeno | 16-03-2019

    Afonso Cruz é, na minha opinião, um dos melhores autores portugueses da actualidade. Este foi o primeiro livro que li do autor e aquele que me fez apaixonar pela sua escrita. Uma história com um enredo fantástico e uma sensibilidade esmagadora. Recomendo!

  • As coincidências não existem....
    Marta Furtado | 23-02-2019

    Um livro para ler de uma assentada! Cheio de pequenas histórias que se cruzam e que encaixam umas nas outras (quais bonecas russas), de personagens que são próximas e de como não existem coincidências. O autor vai alternando entre momentos e personagens para nos conduzir a um desfecho surpreendente. De uma simplicidade e sensibilidade tocantes!

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  • Um mosaico sobre a identidade humana
    Paula Campos | 25-01-2026

    O livro traz com ele e leva-nos a uma reflexão delicada e inquietante sobre a relação com o outro, sem o qual a identidade humana estaria incompleta. Ninguém existe sozinho, ninguém se molda sem o olhar, a presença ou ausência do outro. A cultura, a memória, a ficção são o espaço privilegiado para as relações humanas, materialidade e elaboração simbólica. A estrutura do romance apresenta-se como um mosaico narrativo: histórias breves, personagens aparentemente desconexas e episódios que recusam uma linearidade clássica. Não há uma perceção imediata da coerência do conjunto; ela vai sendo construída pelo leitor, que se sente obrigado a estabelecer relações, reconhecer e aceitar lacunas. Encontramos pequenas narrativas — repito: aparentemente dispersas — a lembrar fábulas sem moral explícita, que precisa de ser configurada pelo leitor. O texto é um caleidoscópico, justaposições e sobreposições criam uma unidade instável, todavia profundamente sugestiva. A convivência de personagens ficcionais com figuras históricas dissolve as fronteiras tradicionais entre realidade e invenção. Um exemplo perfeito será o episódio que dá título à obra. Oskar Kokoschka e Alma Mahler são figuras biográficas, mas aparecem enquadradas como elementos vivos do imaginário artístico europeu. Após o fim da relação amorosa com Alma, Kokoschka encomendou uma boneca em tamanho real, feita à imagem da ex-amante — metáfora central do livro —, com a qual tentou prolongar a vida tida com ela. Mas a tentativa de substituir a mulher por uma simulação controlável, privada de alma, revelou-se, obviamente, um fracasso. Finalmente, Kokoschka destrói a boneca por perceber o impossível: o outro não pode ser reduzido a coisa. Encontramos esta metáfora nas restantes narrativas e personagens marcadas, física e mentalmente, pela Segunda Guerra Mundial em Dresden. Isaac, um jovem sobrevivente à perseguição aos judeus, que coxeia durante toda a vida, porque a cabeça do seu melhor amigo caiu em cima do seu pé ao ser baleada por um soldado nazi; Bonifaz Vogel, um comerciante cuja inteligência parece vir de uma voz invisível — afinal, Isaac, escondido num alçapão; Tsilia, marcada no corpo e no destino; e uma série de personagens secundárias — homens avarentos, esposas ciumentas, figuras ingénuas ou bondosas — que se cruzam de forma improvável. A identidade constrói-se sempre nas relações, mesmo quando feitas de peso, ausência ou dor. A aparente simplicidade da escrita revela-se, gradualmente, enganadora. O que começa como uma narração linear transforma-se num labirinto de tempo, espaço, personagens e perspetivas. As histórias ganham densidade à medida que se entrecruzam. Sentimos uma certa inocência que atravessa o texto, misturada com humor subtil e reflexões filosóficas que nunca se tornam excessivos. As narrativas humanas sobre valores, ideologias e identidades são construções necessárias, mas artificiais. Contexto, mais do que essência, determina o sentido, como ironicamente se afirma num dos momentos mais expressivos da obra: o mesmo bigode pode provocar riso ou horror, dependendo de quem o usa e de onde é colocado: «Não lamente. Veja isso pelo lado positivo. Há sempre um lado positivo. Repare que o bigode do Hitler tinha muita piada no Charlot. E o bigode do Charlot era abominável num Hiter. Uma coisa igualzinha, se mudarmos o contexto, determina a nossa alegria ou a nossa tragédia. Duchamp é que tinha razão com aquilo do urinol: é o contexto que cria a arte e o drama e a desgraça e a felicidade. Ponha a minha morte num contexto que a favoreça. Verá que não custa nada. Ponha o bigode do Hitler no Charlot.» Uma história feita de fragmentos que se articulam de forma imprevisível. Denso, o livro obriga a uma leitura atenta, aberta à ambiguidade. Premiado com o Prémio da União Europeia de Literatura, A Boneca de Kokoschka afirma-se como uma obra que lembra que não há existência possível sem o outro.

A Boneca de Kokoschka
ISBN:
9789896652685
Ano de edição:
02-2018
Editor:
Companhia das Letras
Idioma:
Português
Dimensões:
146 x 232 x 20 mm
Encadernação:
Capa mole
Páginas:
280
Tipo de Produto:
Livro
Classificação Temática:
EAN:
9789896652685

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