O bairro da Cova da Moura é conhecido em Portugal e no estrangeiro pelas piores razões (tráfico, violência policial, precariedade) e pelas melhores: uma prática associativa que desperta a curiosidade e admiração.
A sua população, maioritariamente imigrante originária de países africanos, de variadas cores e credos, desenvolveu processos de entreajuda para resolver dificuldades comuns (construção das casas, arruamentos e saneamento, etc). Dessa auto-organização resultou a Associação Cultural Moinho da Juventude. Os moradores foram criando uma filosofia que imprime formação em todas as suas ações, em permanência adequada em função das pessoas, das suas experiências e da possibilidade de melhoria concreta da vida no bairro.
Tal como muitas pedagogias foram desenvolvidas a partir da busca de soluções para lidar com públicos e contextos difíceis, também neste livro fomos ver a inventividade na formação que surgiu dos desafios afrontados, de que modo se constituiu a possibilidade para que as pessoas se disponibilizassem para novos poder-ser no mundo.
As relações estabelecidas com o tempo, com o outro, com o fazer, com a linguagem e com o saber revelaram estar no centro da originalidade formativa e instituinte.