E se a guerra entre a Monarquia do Norte e a República Portuguesa tivesse durado não três semanas, entre 19 de Janeiro e 13 de Fevereiro de 1919, mas três anos?
nnTrês anos é muito tempo, e em contexto bélico o tempo adquire ainda maior extensão, acelerando fenómenos sociais, culturais e tecnológicos e catalisando mudanças no mundo. Um mundo desbragado e radical, enquanto a pandemia da gripe, de 1918 a 1920, dizimava milhões de pessoas mundialmente, onde os traumas e destruição da Grande Guerra afectavam cada pedaço do continente europeu, e através dele o resto do mundo.
nnEm que as migrações desafiavam medos e esperanças, com leis a serem ajustadas, bem e mal, por todo o lados, e em que a desinformação ameaçava a democracia, começando essa ameaça a ser identificada e referida nos discursos políticos, como o do Presidente dos Estados Unidos da América, Woodrow Wilson, em 1915.
nnNesse mundo, que tem tanto em comum com o actual, uma guerra civil imaginada vai alastrar por toda a Península Ibérica (com a Galiza a juntar-se à Monarquia do Norte, e Madrid a alinhar com a República de Lisboa), provocando uma divisão entre aliados e adversários que ainda há pouco se enfrentavam noutras trincheiras. E como trunfo escondido, o Norte recorre ao vinho do Porto como biocombustível, alterando a tecnologia como conhecemos.
nnWinepunk, um mundo movido a vinho. O vinho nunca mais saberá ao mesmo.
nnNa segunda das três antologias Winepunk planeadas, uma por cada ano dessa guerra imaginada, os contos mostram agora a perspectiva do Sul. A segunda antologia é a antologia do meio, e estar no meio é também estar no lugar onde já não se tem ilusões.
nnMas elas persistem, porque somos humanos.