Raia, Raianos, Nobres e Malteses
É um espaço mágico e encantado de muitos folclores a fronteira que Portugal faz na Ibéria com Espanha, e que as gentes que vivem nas suas proximidades, os raianos, deram um nome e um destino singelo. A Raia, se vista de Portugal, ou a Raya, se observada a partir do lado espanhol. Mas a Raia é muito mais que uma fronteira. É o território sensível e complexo que contrasta com o Atlântico, o outro contorno de Portugal com o mundo, ambos espaços de valentias e heroísmos, cada qual no seu modo. E se o mar foi grande, o lugar dos Descobrimentos, de proezas oceânicas, da procura de novos mundos para o mundo e da revelação de gigantes do calibre de D. João II, Vasco da Gama, Camões ou de Afonso de Albuquerque (O Leão dos Mares), a Raia, não deve ser entendida por menos. Foi nela que os Portugueses se bateram sem claudicar, lugar de bravezas, solidariedades únicas e da definição a sangue do território, da identidade e do carácter dos lusitanos, com tantas histórias e singularidades ímpares. E a Raia, por quem D. Dinis tanto pugnou, teve também os seus valentes e gente de coragem e enorme humanismo, como o Tenente Seixas, Gil Fernandes ou Rui Nabeiro, sem esquecer os seus contrabandistas, os judeus refugiados, os próprios homiziados e todos os que deram o peito às espadas e às balas nas refregas seculares em que fomos o intrépido David e tanto resistimos a todos os Golias.