O vento ainda uiva nas serras, corre pelos seus caminhos e acorda os mistérios e segredos que nunca as abandonaram. São as serras portuguesas territórios criativos onde ainda hoje se mostram casinas e telhados de água, fojos do lobo e sanatórios, conhais e neveiros, minas e salinas, moinhos, castelos e capelas, baterias e sumidouros, formas inteligentes de misteriosas histórias que contam as estranhas histórias do homem que com elas sempre soube criar simbioses audazes a partir de muito pouco.
O Vento das Sete Serras é um daqueles livros que cartografou as emoções contidas em muitas serranias e trata destas singularidades frágeis dos seres humanos ligados às suas montanhas. Circula deliberadamente por fora das autoestradas e mergulha em utopias sem algoritmos que só não se realizam porque deixámos de acreditar que, tal como as serras, já se tornaram inabitáveis.