Do 25 de Abril de 1974 ao 25 de Novembro de 1975
O período compreendido entre os golpes militares de 25 de Abril de 1974 e de 25 de Novembro de 1975 constitui um dos ciclos mais intensos, complexos, estranhos e simultaneamente decisivos da história contemporânea portuguesa. Em pouco mais de dezoito meses, Portugal
passou de um longo regime autoritário e de uma dimensão pluricontinental, para um processo revolucionário, que geograficamente reduziria o país à Metrópole e arquipélagos adjacentes e que seria marcado por uma crescente instabilidade política, pela redefinição do papel das Forças Armadas e por profundas transformações em diversos âmbitos.
No centro deste processo estiveram, de forma constante e determinante, as Forças Armadas.
O golpe militar de 25 de Abril de 1974, conduzido pelo Movimento das Forças Armadas, não foi apenas o detonador da queda do regime do Estado Novo, mas o ponto de partida para
uma sucessão galopante de acontecimentos em que o poder militar assumiu, directa ou indirectamente, um papel estruturante e decisivo.
Ao longo deste período e processo, as Forças Armadas deixaram de ser o corpo homogéneo e disciplinado, como a nação as apercebia até então, passando a reflectir clivagens ideológicas, estratégicas e operacionais que se manifestaram em diferentes posicionamentos entre camaradas, comunicados, movimentos de unidades, confrontos de autoridade, prisões e, em momentos críticos, mesmo no recurso à força armada.
Ao olharmos esse tempo tão recheado de acontecimentos militares, como foram os anos de 1974 e 1975, não é, seguramente, difícil perdermo-nos por entre tantos personagens, factos e episódios.
Registá-los é a razão desta proposta de uma cronologia militar, numa perspectiva sectorial, exclusivamente do âmbito militar, que não vem merecendo a devida atenção da historiografia (perdida nas intrepretações de uma subsequente revolução que neste âmbito nada nos interessa) e, por razões diversas, esquecida no domínio da História Militar.