"Mais do que mil imagens" | Ver com o corpo todo
Pensar o que vemos, hoje, é simultaneamente um enorme desafi o e umaurgência. Os dias correm-nos por entre os dedos e, à mesma velocidade, saltam-nos imagens pelos olhos dentro. Do prato ao café, do livro ao quadro, dos pés às nuvens, do vazio à multidão, da intimidade à comunidade. Tudo se fotografa e tudo se partilha, acabando por cansar o verbo ver. Diz-nos António Mega Ferreira, na abertura do seu Mais Que Mil Imagens (Sextante), que o aforismo, atribuído a Confúcio, “Uma Imagem vale mais que mil palavras”, acabou por se banalizar, sobretudo entre os fotojornalistas da segunda metade do século XX. Nem a imagem ocupa o lugar insubstituível das palavras, nem as palavras se substituem à imagem, assevera.