Escrever Florbela Espanca
«Amar! // Eu quero amar, amar perdidamente! / Amar só por amar: Aqui... além... / Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente... / Amar! Amar! E não amar ninguém! // Recordar? Esquecer? Indiferente!... / Prender ou desprender? É mal? É bem? / Quem disser que se pode amar alguém / Durante a vida inteira é porque mente! // Há uma Primavera em cada vida: / É preciso cantá-la assim florida, / Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar! / E se um dia hei de ser pó, cinza e nada / que seja a minha noite uma alvorada, / que me saiba perder... pra me encontrar...»
Florbela Espanca, in Charneca em Flor
«Bem sabemos que os grandes criadores e visionários (em qualquer área literária/criativa/artística, bem como do Conhecimento em geral) não morrem nunca, pois a sua passagem/experiência por esta reencarnação, o seu legado literário e humanístico, bem como a sua mensagem essencial, irão permanecer para sempre e desafiar, orientar e inspirar as futuras gerações. Florbela Espanca foi visionária, tão telúrica quanto metafísica, também algo celestial, tão sombria quanto luminosa, tão… Foi uma mulher muito à frente do seu tempo, que ousou pensar e viver fora da caixa, tendo contribuído para a mudança que se impunha e desejava, ajudando a construir um novo paradigma que nos continua a surpreender a vários níveis (cultural, artístico, social, erótico, político, axiológico, religioso…). A mundividência de Florbela, revelada no seu extraordinário legado literário, continua a surpreender-nos. Aqui vos apresentamos uma mulher diferente, com vários interesses (e não propriamente os mais típicos e supostamente esperados pelas mulheres do seu tempo), caprichos, gostos…, que procurava todos os dias satisfazer as suas várias paixões e a sua imensa curiosidade pela vida, a fim da compreensão da condição humana, aplicando a dialética da Alma e assim lutando nas várias batalhas internas e externas como guerreira do Amor e da Paixão.»
Ângelo Rodrigues, Excerto do texto Avulsas Impressões (Coordenador e, talvez, aprendiz de Sentido e/ou crítico literário; fevereiro de 2026)