O clássico Woyzeck, de Georg Büchner, que narra a história do homem comum, frágil e angustiado, a figura da criatura humana que pode ser qualquer um de nós, ganha uma vigorosa e criativa adaptação em verso e canções para o português. A peça Zé, de Fernando Marques, lida com diversos desafios simultâneos. O texto de Büchner (1813-1837), originalmente escrito em prosa, conta a história de um soldado, homem desequilibrado e frágil que, humilhado pelos superiores, traído pela namorada e espancado pelo rival, se vê conduzido a reações extremas. A adaptação reelabora o lirismo e o humor patético do texto de base, acrescentando à história os valores lúdicos dos versos metrificados e rimados, a que se somam quatro canções. Zé pretende ligar-se à tradição do teatro musical brasileiro de índole política, valendo-se de tom coloquial que visa a plena comunicação com o público das salas de espetáculo. A peça liga-se afinal à consciência do humano que a figura de Woyzeck, agora Zé, tem sabido acordar em gerações de leitores e espectadores.|Fernando Marques é professor universitário, jornalista, escritor e compositor. Autor dos livros Retratos de Mulher (poemas, Varanda) e Zé (teatro, Perspectiva) e de canções como "A Profissão de Cátia". Tem trabalhos publicados nos jornais Correio Braziliense, O Globo, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde e Rascunho e em revistas como Cult e Folhetim. Doutor em Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília com tese sobre teatro musical.