Conheci Anthony Bourdain em 2001, na cidade de São Petersburgo, durante as filmagens da série "A Cook's Tour". A partir desse encontro, tornámo-nos companheiros na busca por emoções inéditas e experiências maiores do que nós mesmos. Dez anos depois, Tony disse-me: "Escreve a tua história!" Demorei catorze anos a ter coragem de olhar para trás, filtrando a minha vida pelas lentes de uma amizade de dezassete anos. Tony mostrou-me o caminho para sair da minha gaiola - do peso de ser soviético à liberdade de me tornar cidadão do mundo. Tive a honra de o acompanhar em dez episódios de televisão, atravessando diversos fusos horários, partilhando mesas, viajando de comboio, em carros a caírem aos bocados e em carroças puxadas por cavalos; do frio ao calor, do sol à chuva, e de volta outra vez. Não era sobre o tempo em frente às câmaras. Era sobre a jornada. Esta é a minha história: os altos, os baixos, o desconhecido revelado. Mesmo agora, com o livro escrito, sinto que continuo em busca de significado, de perdão - talvez até de redenção. Mas o espetáculo tem de continuar. A luz de Tony permanece. E eu carrego um certo lampejo dela.(...)