Em 2014, o Estado português viciou a escolha do juiz e transformou o inquérito num jogo de cartas marcadas. Em 2014, o Estado transmitiu a detenção em direto no aeroporto e o juiz escreveu no despacho judicial que a prisão preventiva, "a pecar, não será por excesso". Em 2014, o líder da extrema-direita era comentador televisivo do processo.
Dez anos depois, é líder do primeiro partido de extrema-direita, com 60 deputados eleitos. A história de 2014 é ainda uma história em construção.
Se o que define a natureza do processo é a atitude do acusado, então há que reconhecer que o processo marquês nunca foi um processo de conivência, mas de ruptura. Ruptura com o sistema judiciário que promoveu a violência e o arbítrio. Ruptura com o mundo político que a tudo assistiu e tudo consentiu.
Ruptura com o jornalismo, cujo principal papel neste processo foi o de normalizar os absurdos judiciais.
Este livro é a crónica dessa ruptura.