1942. Berlim. Cidade assombrada pelo fantasma de uma guerra devastadora em curso, capital de um Estado que vai rapidamente ser confrontado com as terríveis consequências da sua desmedida sede de hegemonia. Carl Schmitt, por muitos considerado um dos maiores vultos intelectuais dessa Alemanha prestes a agonizar, mas entretanto afastado dos centros de poder, está perplexo e desiludido. Mergulha então numa reflexão acerca das grandes forças que guiam a história humana e escreve este ensaio singular ¿ o seu livro mais belo, dirá Nicolaus Sombart ¿ sob a forma de uma narrativa, clara e concisa, concebida para ser contada à sua filha Anima Louise.
Esta obra é afinal um marco no distanciamento das ideias de Schmitt relativamente ao ideário do Terceiro Reich. Da sua leitura resulta, por exemplo, a inevitabilidade da derrota da Alemanha no grande conflito de 1939-1945.
Mas o que nela de mais relevante se colhe são ideias poderosas sobre questões bem fundas: a limitação ou a desumanização da guerra; os meios indirectos e ocultos que os governantes e as grandes potências podem usar no quadro do seu potencial estratégico; a reinterpretação da nossa visão de Modernidade…
Um ensaio fundamental de Carl Schmitt, profundo e acessível, numa tradução de referência, da responsabilidade de Alexandre Franco de Sá, o maior especialista português na obra do pensador alemão.