«Que saudade ou coragem é preciso ter para deixar a terra quente e colorida do seu nascimento, Brasil, e vir desaguar a terras lusas em cidades de luz e sombra, branco e preto? Deixar o samba e a sua liberdade do corpo mulher e vir aqui tecer o seu fado triste, vestida de negro?? Que amor ou que paixão da língua portuguesa e das suas paisagens a trouxe a este solo ingrato e esquecido da sua Grandeza de outrora? Que a sua poesia nos responda e que nos deixe ver a sua alma vibrante, escondida por hora entre as pedras e menires de Almendres, e o meu desejo é que, como uma iniciação, esta sua descida à sua sombra a possa resgatar de um passado que a mantém quiçá cativa (ainda) até que o pássaro da sua alma feminina lhe dê asas para voar em plena liberdade.»
Rosa Leonor Pedro (excerto do prefácio)