O estudo da procissão do Ecce Homo da Misericórdia de Braga na longa duração permitiu efetuar uma abordagem consistente e ter uma perceção do fenómeno que se torna inexistente quando a dimensão temporal é mais limitada. Este livro sublinha a composição da procissão ao longo dos séculos, permitindo conhecer muitos aspetos completamente inovadores.
Traçamos grandes quadros e descemos ao micro, dando a conhecer os fogaréus, os ingredientes das suas refeições e dos penitentes, mas também a iluminação da igreja e do itinerário que recebia a procissão. A lenha, as canhotas, os alguidares onde estas eram posicionadas, os fogaréus e os materiais colocados para os fazer arder são aspetos que só um estudo micro e prolongado no tempo permite avaliar e compreender. E o mesmo se refira quanto aos homens da segurança, à música, aos penitentes, ao andor, às bandeiras, às ruas, aos anjinhos, à presença do clero e à meteorologia, ou seja, a todos os elementos que integravam a procissão e a tornavam dinâmica e próxima dos fiéis. Apresentamos também rostos de vários dos seus intervenientes, quer na condição de benfeitores, quer na condição de pobres.
Esta procissão apresenta hoje uma vitalidade crescente, atraindo um público que procura na cidade e nas suas manifestações religiosas e culturais da semana santa novas vivências, desafiando um tempo diferente que tenta associar a fidelidade à ancestralidade com as exigências dos nossos dias.