Criticados pelos leitores por não admitirem ser questionados, também os jornalistas se queixam da incompreensão e exigências destes, que acusam de só verem o que está mal e de serem mais propensos a objurgá-los do que a compreender as limitações de uma tarefa executada em condições que, com demasiada frequência, primam por não serem as ideais, ou a tolerar as falhas daí advenientes.
Consabido que é poder a verdade não residir só de um dos lados, decidimos, com vista à cabal dilucidação da questão e em cumprimento de um preceito do direito romano, audiatur et altera pars - que preconiza o imperativo de, antes de formularmos o nosso juízo, ouvirmos a outra parte -, dar aos visados oportunidade de se explicarem, destarte nos permitindo aquilatar das razões que lhes assistem ou não. Para isso procedemos ao levantamento de um número assaz pregnante de situações e, com base nos elementos aí recolhidos, à investigação, tendente a confirmar ou infirmar as premissas ora enunciadas.
Valeu a pena a consulta efectuada (e o posterior tratamento dos dados)? A resposta só pode ser irrefragavelmente afirmativa. No essencial, por ter tido o mérito de dissipar ideias preconcebidas. Por exemplo, matizar e (ainda que parcialmente) desmitificar arrière-pensèes por demais enraizados, como o que respeita à sobranceria dos jornalistas. Rubrica em que, dada a quantidade de respostas embebidas do q.b. de generosidade que lhes é atávica, se revelou de inestimável proficuidade o contributo dos mais jovens. E só esta ilação bastaria para a justificar.