"O meu próximo é todo aquele e tudo aquilo de quem eu for capaz
de me aproximar, ao ponto de o sentir íntimo e inseparável de mim,
num abraço do espírito-coração a todo o universo. O meu próximo
não é apenas o que pertence ao mesmo grupo familiar, profissional,
social, económico, nacional, étnico, cultural, linguístico, político ou religioso,
nem o que pertence à mesma espécie, ao mesmo planeta ou à
mesma galáxia. Nesta experiência, o meu próximo não tem de ter duas
pernas e dois braços, podendo também ter quatro patas, muitas ou
nenhuma, caule, tronco, folhas, flores e frutos. Não tem de ter cabelos
e pele nua, podendo também ter pêlos, penas, carapaça, escamas e
casca. Pode não só viver sobre a terra, mas também rastejar no seu
seio, nadar nas águas e voar e brilhar nos céus. Pode não ter uma vida
individual e ser também a própria terra, as areias, as pedras, as rochas,
os minerais,, as águas, os ventos, o fogo e a energia que em tudo isso
circula. Pode não falar a minha linguagem e em vez disso miar, ladrar,
zumbir, uivar, cacarejar, grunhir,, mugir, relinchar, rugir, trinar, grasnar,
trovejar, soprar, relampejar, chover, florir, fortificar, repousar ou mover-se
em silêncio. Pode não ter forma e ser invisível. Não tem de ter vida
consciente e senciente e não tem sequer de ter vida. Basta que exista.
Não tem de ser algum ser ou coisa e pode ser tudo".