Terá sido por isso, por um motivo de pragmatismo objectivo, que foi opção deste vosso modesto autor assim vos pretender elucidar acerca do conteúdo desta obra: que nada mais apresenta que um ponto de vista demarcado, uma crítica feroz e uma retrospectiva de sentimentalismo saudosista característico da lírica associados a uma visão pessoal de uma contemporaneidade perdida na qual se integra a actualidade factual. Que não se interpretem estes versos como uma descrença, pois que se os encare como uma crítica proveniente de uma crença maior na razão humana e na capacidade inesgotável de cada um para si e para o alcance dos seus limites mais remotos e mais rebuscados, no sentido de uma vida feliz, não obstante de efémera, como aliás tudo se torna de cada vez que se cultiva o gosto e a apetência para com as mais singelas realidades (que julgamos ainda mais efémeras que a vida) e que comparativamente ao que somos, são donas de uma grandiosidade que quase sempre nos escapa.