Obra em três volumes.
Neste primeiro volume analisa-se o período em que prevalecia um poder pessoal, com as instituições familiares que o fundamentavam e os tipos de dinheiro que o supunham. Esta obra pretende mostrar, ao longo de três volumes, como as instituições familiares se reorganizam no regime senhorial, acabando por servir de quadro a um exercício impessoal de poder.
Com a grande crise social e económica da segunda metade do século XIV inaugurou-se um sistema em que a domesticidade do monarca, ampliada à escala de todo o reino e tornada impessoal nos seus modos de funcionamento e de relacionamento, se converteu no Estado moderno. a evolução dos demais tipos de família subordinou-se a esta transformação decisiva.
Com o mesmo fim se desenvolveram as formas modernas de dinheiro, possibilitando o funcionamento impessoal do Estado. A história é sempre um discurso sobre o presente. Não deve sê-lo para talhar o passado pelos moldes contemporâneos, numa tentativa de eternização da actualidade, mas para olhar o presente por contraste, usando o passado ao invés de um espelho, de modo a afirmar criticamente a especificidade da época em que vivemos.
Mas que fazer quando, malgrado a extremação de tantas diferenças, as semelhanças começam a impressionar-nos? Os conflitos são a categoria genérica, que tem nas lutas apenas uma das suas realizações particulares. Os conflitos são a manifestação sensível das contradições. Materializam o tempo e são, por isso, o fundamento da história.